O Menino que amava a música
Enquanto prosseguia nos seus afazeres, cantava, gostava de cantarolar e assoviar, só que neste dia, especialmente, ele só ouvia. A vizinha ouvia uma música que lhe chamara a atenção, não era a primeira vez que a escutava, mas era diferente, naquele momento ele percebeu que aquela música o fazia bem, um bem estranho, uma sensação de leveza, um bem estar diferente. "Eu quero é viver em paz/ Por favor me beija a boca/ Que louca, que louca..." Era o que ele ouvia, e essa música o deixou feliz.
Ao terminar sua tarefa, correu à casa da vizinha para se informar sobre o que tinha ouvido:
- Neide, de quem é a música que você tava ouvindo?
- Qual delas? - Quis saber a vizinha.
- Ah, aquela do "meu jardim da vida, ressecou ou morreu...", acho que é do Milton Nascimento, um cara que tem um cabelão trançado... - Disse, meio sem certezas.
- Hum... É o Djavan! Porquê? Você gostou?
- Sim, achei legal, tava lá em casa ouvido!
- Ah, depois eu te empresto o disco pra você ouvir...
Foi com muita alegria que ele ouviu aquele disco. Ouviu, reouviu, treouviu... Tinha então se interessado por música, por boa música, quis saber o que mais o intérprete havia produzido e como uma coisa puxa a outra, foi descobrindo o universo maravilhoso da boa música, cada álbum, cada intérprete, cada letra era um mundo novo para aquele menino de dez anos, que acabara de descobrir.
À medida que o tempo foi passando, seu conhecimento e interesse pela música foi aumentando e ele passou a ouvir outros intérpretes, com isso vieram os baianos, Caetano, Gal, Bethânia, Gil, por estar entrando na adolescência era natural, em seu meio, a "contaminação" pelo Legião Urbana, Gabriel, o Pensador acabara de surgir, com uma proposta diferente das outras, mas também interessante.
Uma coleção de música erudita da revista Caras despertou nele o apreço por este tipo de música. Nela conheceu Mozart, Chopin e os Tenores, inicialmente. Depois vieram os outros: Beethoven, Bach, Rossini, Vivaldi, Verdi à inundar seu coração de alegria. Mais tarde conheceu Villa-Lobos, lembrava da vinheta de "A voz do Brasil" quando ouvia no rádio quando estava na roça com seu avô, na rádio Sociedade (Alegria da Bahia!). Não imaginava que seria "O Guarani", muito menos que este fantástico compositor, no futuro, daria o nome ao seu filho.








